A necessidade de brincar:
“Afinal, o que têm em comum a maioria dos vencedores do Prémio Nobel, empreendedores inovadores, artistas e performers, crianças bem ajustadas, casais e famílias felizes e os mamíferos mais bem adaptados?
Eles brincam com entusiasmo ao longo de suas vidas.
Que denominador comum é compartilhado por assassinos em massa, crianças maltratadas, funcionários esgotados, mães deprimidas, animais enjaulados e estudantes preocupados?
Brincar raramente ou nunca faz parte de suas vidas.”
— Stuart Brown, Institute of Play
A necessidade de brincar
Á primeira vista, a brincadeira pode parecer frívola no local de trabalho, mas pode muito bem ser o catalisador que liberta a nossa imaginação para conceber um futuro sustentável nos negócios, na economia e na sociedade.
Através da brincadeira abrimos a nossa receptividade à imaginação, intuição e devaneios. Isso significa que, soluções que antes pareciam tão evasivas agora aparecem sem esforço no meio da brincadeira.
Diane Ackerman escreve uma passagem digna de contemplação no seu livro “Deep Play”:
“Brincar é uma atividade apreciada por si mesma. É a maneira favorita do nosso cérebro de aprender e manobrar. Por pensarmos na brincadeira como o oposto da seriedade, não percebemos que ela governa a maior parte da sociedade – jogos políticos, jogos de sogros, jogos de dinheiro, jogos de amor, jogos publicitários, para listar apenas algumas esferas em que a brincadeira é desenfreada. …
O espírito profundo de brincar é central na vida de cada pessoa e também da sociedade, inspirando as artes visuais, musicais e verbais; exploração e descoberta; guerra; lei; e outros elementos da cultura que passamos a valorizar (ou temer). Levado pelos estados mais profundos de brincadeira, sente-se equilibrado, criativo, focado. A brincadeira profunda é uma marca fascinante do ser humano; revela a nossa necessidade de encontrar um tipo especial de transcendência, uma paixão que torna explicável a busca de emoções, a criatividade possível e a religião inevitável.
Na religião:
Do mesmo modo, talvez a religião pareça um exemplo improvável de brincadeira, mas se olhares para os ritos e festivais religiosos, verás todos os elementos da brincadeira e também o quão profunda se pode tornar. Os rituais religiosos geralmente incluem dança, adoração, música e decoração. Assim sendo, eles engolem o tempo. Eles são extáticos, absorventes, rejuvenescedores. A palavra “oração” deriva do latim precarius e contém a ideia de incerteza e risco. A súplica será atendida? A vida ou a morte podem depender do resultado.”
A antropóloga transcultural Angeles Arrien no seu livro “The Fourfold Way”, relata que em algumas culturas, quando alguém se sente doente, o xamã pergunta:
“Quando paraste de dançar, de cantar, de te encantar com a história? E quando ficaste desconfortável com a doce quietude do silêncio?””
E eu:
É assim que te digo que brincar é uma característica que possuo desde que me lembro.
Pensando bem, toda a vida senti que podemos brincar e trabalhar em simultâneo, sem que exista desrespeito. Afinal existe quem defenda que “quem trabalha por gosto , não cansa!”. Do mesmo modo, eu defendo que quando se faz com gosto, não dói. Nada dói!
De todas as vezes que defendi esta forma de estar, encontrei pessoas renitentes e com grandes dificuldades para a entender.
Ainda mais! Raramente encontrei quem entendesse esta forma de viver! E para encontrar essas pessoas, foi necessário escalar montanhas e provar que, apesar da brincadeira, existe valor e trabalho sérios.
Mas, de cada vez que alguém se sintoniza com a mesma forma de trabalhar, o trabalho cresce e produz-se de uma forma exponencial, sem dramas e mais tranquilo e de sorriso na cara.
Afinal quem não o sente, já perdeu o seu espírito criativo. Deixou-o bem fechado no passado, nas raízes e dificilmente o resgatará.
Porquê? Porque é no espírito de criança que reside o espírito criativo e de brincadeira. Ambos se fundem na descoberta do que os rodeia. É explorando, testando, errando ou não que surgem as descobertas e a inovação.
A necessidade de brincar é urgente, para que a evolução continue e as descobertas aumentem. O mito das pessoas perfeitas, “sem erro” tem de ser destruído e tem de se abraçar o erro / falha como uma aprendizagem.
Se queres descobrir onde está a tua criatividade da criança brincalhona, deixo-te AQUI algo que te pode interessar.